Autenticamente Botafoguense.

Uma Estrela Solitária me conduz. Qual botafoguense já não ouviu, cantado ou falado, essas palavras? A paixão de um torcedor alvinegro é formada através dos anos, o tempo faz esse sentimento se consolidar, ele se fortalece, se ramifica, se apossa de cada célula do corpo e aflora em apenas dois momentos bem distintos, momentos esses que farão parte por toda vida de um botafoguense, na alegria da vitória e na dor das derrotas.

No peito de um botafoguense bate um coração autêntico, místico e futebolístico, que às vezes, se sente perdido com esses lances do, tão falado, futebol moderno, o autêntico coração alvinegro não se adaptou ainda, a dribles simples, imperseptíveis  e rápidos, só correr, correr e correr, jogador não pensa mais no que o torcedor quer, obedece ao técnico. Talvez os novos alvinegros não saibam, mas, assim como o gol, o drible elástico e cinematográfico também fazia parte do show, isso mesmo! O futebol é um show, ou era pra ser. Ora!!!… Se for pra ver só gol, faz-se uma disputa por pênaltis e pronto. O jogador de futebol, era identificado com o sorriso do torcedor, a felicidade era dividida e compartilhada entre torcida e elenco, ainda lembro que pagar a entrada no estádio, valia cada centavo, valia sim… E por falar em dinheiro, o bolso do torcedor não era o alvo do clube, a felicidade nas arquibancadas, o nome do meu Botafogo ovacionado e aplaudido, era o bem mais valioso que se tinha, o estádio era a porta de entrada para outro mundo, um mundo que provocava no coração, mudanças na frequência de batidas cardíacas, se eu tinha problemas, só me lembrava deles fora dali.

Ah Garrincha!!! O que você fez conosco? Fomos mal acostumados, fomos bajulados demais, nos ensinaram esses costumes que, não mais, são atendidos hoje, ser botafoguense era ser acostumado a sorrir com seus dribles, magicamente improvisados, era chorar com a fidelidade alvinegra de Nilton Santos. Querido Garrincha, no seu tempo, zagueiro sorria quando era vítima de sua inspiração, hoje meu caro, driblou… apanhou. Hoje sei que, nós Botafoguenses, somos os verdadeiros herdeiros de um reino esquecido, um reino de poucos defensores, um reino admirado, mas, não mais praticado, somos assim, misticamente fortes, mas, frágeis ao que chama-se, hoje, de… futebol.


Texto:
Jean Enaldiê
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