Crônica de Armando Nogueira, sobre a carreira de Túlio Maravilha.

“Quando ele está em campo não existe gol anônimo
Bola na pequena área é gol de Túlio
Abençoado fruto de uma parceria entre ele e a bola
Coisas do amor

“Túlio e bola são duas almas que se adivinham no recanto nada poético da grande área
Ele, sereno, glacial
Ela, chegando dissimilada para a trama final que fulminará o goleiro sem dó nem piedade

“O repertório de Túlio é inesgotável
Ora, a seta certeira é o pé direito
Ora, o pé esquerdo
Hoje dribla o goleiro, refinando o gol
Amanhã ele chuta de primeira, agudo como um raio
De cobertura, gol de cabeça, de calcanhar, gol de bicicleta

“Tardará muito até que o futebol invente um gênero de gol que Túlio ainda não tenha feito
A pequena área é o seu vasto mundo, que ele conhece como a planta do pé
Passa horas esquecido de tudo e de todos, como se não estivesse em campo
Traiçoeira ilusão. A solidão de Túlio é seguida sempre de uma inquietante reticência
De repente sobrevém a centelha e Túlio faz mais um gol

“Qual é, afinal, o segredo de Túlio?
Dirão os catedráticos que ele é um atleta superdotado
Com uma admirável harmonia neuromuscular
Dirão os detratores que Túlio tem muita sorte e pouco futebol
O segredo de Túlio, dirá uma alma singela, o segredo de Túlio é pura predestinação

“É sopro divino que ninguém ousa explicar
Assim como o rouxinol veio ao mundo com a sina de cantar,
Túlio veio ao mundo com o dom de fazer gol”

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